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Editora Flareon

Contabilidade e IRPF

IRPF 2027: o que muda para o contador com a Lei nº 15.270/2025

Redutor do imposto, retenção de 10% sobre dividendos e tributação mínima das altas rendas: as mudanças que o escritório precisa dominar antes da temporada 2027.

27 de outubro de 2026 · 3 min de leitura · Editora Flareon

A declaração de 2027 será a primeira sob as regras da Lei nº 15.270/2025. Para o contador, isso significa três cálculos que o escritório nunca fez antes e uma conversa nova com boa parte dos clientes.

Este artigo resume o que muda e como se preparar. As regras operacionais da declaração, como prazos e o programa gerador, ainda dependem de instrução normativa da Receita Federal; confira sempre os atos oficiais mais recentes.

1. O redutor do imposto

A lei criou um redutor que, na prática, zera o imposto para quem ganha até R$ 5 mil por mês e diminui o imposto de forma gradual em uma faixa acima disso. O redutor existe na retenção mensal e no ajuste anual.

O que observar: o cliente com mais de uma fonte pagadora. Cada empresa aplica o redutor sobre o salário que ela paga, sem saber das outras fontes. O resultado pode ser pouco ou nenhum imposto retido ao longo do ano e um valor alto a pagar na declaração. Quem descobre isso só em março fica com a impressão de que "o imposto aumentou".

2. Retenção de 10% sobre dividendos

Lucros e dividendos acima de R$ 50 mil por mês, pagos pela mesma empresa à mesma pessoa física, passam a ter retenção de 10% na fonte.

O que observar: a empresa precisa controlar os pagamentos mês a mês, e o sócio precisa entender por que houve retenção. O escritório que atende a empresa e o sócio deve alinhar a política de distribuição de lucros antes do fim do ano.

3. Tributação mínima das altas rendas (IRPF-M)

Para quem tem renda total acima de R$ 600 mil no ano, a lei prevê uma tributação mínima, calculada na declaração e com alíquota que cresce até 10%. Entram na conta rendimentos que antes eram isentos, como os dividendos.

O que observar: o redutor de integração entre empresa e sócio, que evita que a soma do imposto pago pela empresa e pelo sócio passe do limite previsto. É um cálculo novo, que exige dados da empresa e da pessoa física.

4. Mais cruzamentos na malha fina

Com dados novos, como as retenções sobre dividendos, a Receita ganha novos cruzamentos. No primeiro ano das regras, contribuintes, empresas e escritórios ainda estão aprendendo, e o risco de divergência aumenta.

O que observar: revisar informes, conferir as retenções e montar um protocolo antimalha antes de transmitir cada declaração.

Como se preparar até a temporada

  • Faça a triagem da carteira: separe clientes com uma fonte, com várias fontes, sócios que recebem dividendos e clientes de alta renda.
  • Simule antes de março: quem tem várias fontes ou recebe dividendos precisa de uma simulação ainda no fim do ano.
  • Revise contrato e honorários: declarações com dividendos e tributação mínima dão mais trabalho e devem ter preço próprio.
  • Converse com o cliente cedo: explicar a regra antes evita surpresa e desgaste depois.

Para ir mais fundo

O IRPF 2027 – O Manual do Contador para a Nova Declaração percorre a declaração ficha por ficha e explica cada novidade com exemplos e casos resolvidos. O Caderno de Cálculos IRPF 2027 traz as simulações passo a passo e os papéis de trabalho, e o Malha Fina 2027 mostra como prevenir e resolver pendências.